O empate por 1 a 1 contra o Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026 trouxe sentimentos mistos ao torcedor brasileiro. Se por um lado o resultado não foi o esperado, por outro relembrou um adversário que está ligado a um dos maiores capítulos da história da Seleção Brasileira: foi justamente contra o Marrocos que Ronaldo Fenômeno marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo, em 1998.
Ao longo da história, cada geração vencedora do Brasil teve seus protagonistas. Em 1970, a seleção considerada por muitos como uma das maiores equipes de todos os tempos encantou o mundo com nomes como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino e Carlos Alberto Torres. Era uma equipe repleta de talentos que transformava futebol em espetáculo e que conquistou o tricampeonato mundial no México.
Vinte e quatro anos depois, em 1994, uma nova geração devolveu ao Brasil o título mundial após um longo jejum. A liderança de Romário e a parceria com Bebeto tornaram-se símbolos de uma equipe extremamente competitiva, organizada e eficiente. Naquele grupo também estava um jovem atacante de apenas 17 anos chamado Ronaldo, que ainda não entraria em campo, mas já observava de perto como se constrói uma seleção campeã.
O auge daquele garoto viria oito anos depois. Em 2002, Ronaldo escreveu uma das maiores histórias individuais das Copas do Mundo. Após superar graves lesões, tornou-se o artilheiro do torneio com oito gols e marcou os dois gols da final contra a Alemanha. Ao lado de Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e tantos outros craques, conduziu o Brasil ao pentacampeonato.
Essas gerações tinham diferenças de estilo, de época e até de modelo de jogo. Mas todas compartilhavam algo em comum: possuíam líderes capazes de assumir a responsabilidade nos momentos decisivos. Pelé em 1970, Romário em 1994 e Ronaldo em 2002 tornaram-se referências não apenas pelos títulos conquistados, mas pela capacidade de decidir quando a pressão era máxima.
A seleção de 2026 vive agora o seu próprio desafio. Não carrega apenas a responsabilidade de disputar mais uma Copa do Mundo. Carrega o peso da camisa mais vencedora da história do futebol e a expectativa de uma torcida acostumada a ver seus ídolos levantarem troféus.
Nomes como Vinicius Junior, Raphinha, Bruno Guimarães e outros talentos da atual geração possuem qualidade reconhecida mundialmente. Entretanto, o grande desafio desta equipe é transformar potencial em legado.
O empate diante do Marrocos mostrou uma seleção que reagiu à adversidade e encontrou forças para buscar o resultado. Em uma Copa do Mundo, muitas vezes é justamente essa capacidade de evolução ao longo da competição que separa equipes promissoras das equipes campeãs.
A história ensina que os grandes times brasileiros não nasceram prontos. A seleção de 1970 precisou amadurecer após a decepção de 1966. A geração de 1994 carregava o peso de 24 anos sem títulos. O grupo de 2002 chegou desacreditado após uma campanha difícil nas Eliminatórias.
Hoje, a seleção comandada por Carlo Ancelotti inicia sua própria jornada. Ainda não sabemos se esta geração será lembrada ao lado dos campeões de 1970, 1994 e 2002. Mas sabemos que o caminho para entrar na história já começou.
E toda grande história da Seleção Brasileira começa da mesma forma: enfrentando desafios, superando dúvidas e buscando transformar talento em eternidade.
